sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Cuidado com essas duas enganações do mundo dos investimentos


Caro leitor, para estrear minha volta como blogueiro do Estadão, escolhi falar de uma coisa que me incomoda muito: as propagandas enganosas sobre investimentos.
Elas têm proliferado na internet em um ritmo que eu não conseguiria imaginar.
Uma vez alguém começou, ganhou muito dinheiro, e agora os concorrentes não querem ficar para trás. Parece até uma disputa entre quem vai oferecer o investimento mais milagroso para as pessoas.

Acredito que muita gente bate o olho nessas promoções e já saca que é roubada. 
No entanto – e é isso que me incomoda mais – a linha entre a propaganda enganosa e a honesta está deixando de ser clara.
Em outra ocasião, já falei sobre a pegadinha dos investimentos acima de 120% do CDI. Inclusive neste vídeo eu explico quais perguntas você deve fazer ao seu gerente ou assessor de investimentos para saber se um investimento acima de 120% do CDI é vale a pena ou não para o seu caso. 
Mas não é disso que vou tratar neste post. Aqui, vou explicar outros dois tipos de enganações sobre investimentos que tenho visto na internet.
E se você recebeu algum e-mail ou propaganda que achou suspeito e não sabe se tem alguma pegadinha escondida, mande para mim!
Vou escolher um ou mais casos de leitores para comentar, não sei se neste espaço, ou se no meu blog pessoal, o Dinheiro pra Viver.
E se você não tem nenhum caso para me mandar, mas quer receber um e-mail quando sair, basta preencher este cadastro e deixar a parte da mensagem em branco.
Então vamos lá. Seguem dois tipos de enganações sobre investimentos que recebi recentemente – e que você também pode ter recebido.

Enganação 1

Produtos ou cursos para “garantir a aposentadoria”, “garantir uma renda passiva” ou “garantir” qualquer tipo de retorno

Se você receber um e-mail desse tipo, ou se vir no Facebook ou em qualquer lugar uma propaganda dizendo de um curso que vai “garantir” uma aposentadoria ou qualquer coisa, tome cuidado.
Em casos desse tipo, sugiro que você envie um e-mail para o vendedor, perguntando: “Se eu seguir todas as suas instruções e não tiver o retorno previsto, você me pagará a diferença?”
Caso o vendedor responda que pagará e que isso estará em contrato, aí, sim, ele estará garantindo a sua aposentadoria, a sua renda passiva ou o que for.
Do contrário esta será apenas uma promessa sem compromisso. Primeiro, porque se a promessa for investir em ações, o grau de risco (ou seja, de imprevisibilidade) é alto demais para se garantir qualquer coisa.
Em segundo lugar, mesmo se a promessa for aplicar em papéis de risco mais baixo, como o Tesouro Direto, o resultado não é garantido.
Por exemplo, o título Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 está pagando um rendimento de 5,05% acima do IPCA, ou seja, acima da inflação. Isso quer dizer que esse título com toda a certeza vai te pagar, até 2045, um retorno acima da inflação, certo? Errado!
Está errado porque o Imposto de Renda que você pagar não incidirá sobre os 5,05%, e sim sobre o rendimento total do papel, que é a inflação e mais os 5,05%. Dependendo de como a inflação se comportar no período, o IR pode comer a maior parte do seu rendimento, ou mesmo todo ele.
Veja, não estou dizendo que o Tesouro Direto é ruim, nem que ele não possa fazer parte de uma carteira de aposentadoria. Ao contrário. Eu uso Tesouro Direto na minha carteira. O que está errado é dizer que qualquer investimento, mesmo o Tesouro, vai “garantir” a aposentadoria de alguém. No máximo, vai aumentar as chances de se ter uma aposentadoria razoável.

Enganação 2

Propaganda de um produto travestida de “recomendação”

Isso tem sido muito comum em blogs que parecem ser “independentes”.
Vários deles usam um esquema chamado “marketing de afiliados”. Esse tipo de marketing funciona da seguinte maneira: um blogueiro ou youtuber “indica” o produto de um terceiro e dá um link para você clicar e comprar.
Se você comprar pelo link dele, ele recebe uma comissão. Não há nada de errado com o marketing de afiliados. O errado é o blogueiro, youtuber ou influenciador (seja lá como ele se identifique) não dizer que está ganhando dinheiro com isso.
Fica parecendo que ele de fato recomenda um produto (um normalmente um investimento, um livro, um curso ou uma palestra) quando na verdade ele está é vendendo o produto.
Pode ser que o influenciador de fato goste do produto? Pode. Mas seria mais honesto se ele fosse transparente e informasse que está ganhando comissão em cima da sua compra.
O jornalismo tradicional ganhou credibilidade quando passou a separar claramente o conteúdo editorial do conteúdo publicitário.
Muitos blogs, sites e canais do Youtube ainda não chegaram nessa fase. Você pensa que está lendo a opinião pessoal de alguém, quando na verdade está lendo os argumentos de um vendedor.
Isso vale não apenas para livros e cursos, como eu disse, mas também para produtos de investimentos.
Às vezes um site coloca no ar notícias sobre investimentos, mas não deixa claro que pertence a uma instituição financeira ou que ganha dinheiro se você, por exemplo, investir em um determinado fundo ou abrir conta em uma determinada corretora.

Como lidar com isso?

E então, como saber se você está buscando informações em uma fonte de confiança ou não?

Em relação ao mau uso do marketing de afiliado (repito: marketing de afiliado não é ruim; ruim é a forma como alguns sites o utilizam, de modo não transparente), faça o seguinte.
Sempre que algum influenciador da sua confiança indicar um produto:
> Repare se ele diz se está ganhando algo ou não com o produto;
> Se ele não disser, veja se a URL (endereço do link) que ele está indicando menciona algo relacionado e ele ou ao seu site. Exemplo: um sujeito chamado João da Silva indica a palestra do Robert Kiyosaki (autor do livro “Pai rico, pai pobre”). E aí, na URL, está escrito algo como: “http://nacbrasil.com.br/joaodasilva/”. Se estiver, provavelmente o João da Silva é um afiliado e vai ganhar comissão se você comprar por esse link.
Se encontrar uma recomendação desse tipo, vale a pena pesquisar para ver se outros influenciadores estão dando descontos maiores.
Quanto à enganação do tipo 1, acho que já expliquei como lidar: se um vendedor disser que comprando o produto dele você garante alguma coisa, pergunte se essa garantia está no contrato.
No mais, mesmo assim você pode ficar em dúvida sobre as propagandas de investimento que recebe por aí.
Nesse caso, mande para mim, por meio deste formulário. Vou responder uma ou mais questões aqui neste espaço ou no meu blog pessoal, não decidi ainda.
Em tempo: e eu, como ganho dinheiro? O que eu ganho falando isso para vocês?
Resposta: eu ganho dinheiro vendendo parte do conteúdo que produzo. Uma parte do que escrevo ou posto no Youtube é de graça. Outra parte do conteúdo eu vendo, na forma de cursos ou de ebooks para quem quer se aprofundar.
Por isso, posso dizer com clareza: meu interesse é que as minhas dicas sirvam a você, leitor. Você, que é investidor pessoa física como eu. Se você investir ou não em algum produto que eu citar, não fará diferença no meu bolso. Não ganharei nem perderei comissão por isso.

Fonte: http://economia.estadao.com.br/blogs/silvio-crespo/cuidado-com-essas-duas-enganacoes-do-mundo-dos-investimentos/

Vídeo - Você que está desmotivado


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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Guia EXAME do Dinheiro ajuda a ganhar mais, sem drama


Vem aí o primeiro livro de finanças pessoais lançado por EXAME, com 53 ideias realistas e práticas que ajudam qualquer um a investir melhor

O GUIA EXAME DO DINHEIRO, primeiro livro de finanças pessoais lançado por EXAME, reúne 53 ideias — realistas e práticas — que ajudam a investir melhor, decifrar o mercado imobiliário e planejar a aposentadoria sem neuras. Veja, a seguir, alguns trechos do livro, que chegará às livrarias no dia 7 de fevereiro.

Capítulo 1: Planejamento

Se você acha que cortar gastos é impossível, saiba que faz parte da maioria. Poucas pessoas acham que gastam demais ou que podem reduzir as despesas. Numa pesquisa feita com brasileiros de 40 a 49 anos pelo centro de pesquisas Oxford Institute of Ageing, ligado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, 45% dos entrevistados afirmam que o principal motivo que os impede de guardar dinheiro é o fato de não ganharem o suficiente. Outros 22% dizem que poupar é para quem é rico. Apenas 15% admitem ter dificuldade para controlar os gastos.
Pode ser que ganhar pouco seja realmente o problema. Ou talvez falte prestar mais atenção nos gastos. Consultores financeiros dizem que quem faz isso acaba conseguindo diminuir de 10% a 30% das despesas. Como? Inicialmente, cortando os gastos que corroem o orçamento e geram pouco ou nenhum benefício. Pode ser a anuidade de um cartão de crédito que não é mais usado; a assinatura de um pacote premium da TV a cabo cujos canais raramente são acessados; a mensalidade de um guia para uma vida saudável que não é consultado há meses; as prestações da academia de ginástica que mal é frequentada; e por aí vai. A ideia não é cortar tudo o que não é essencial, mas livrar-se dos desperdícios. “Muitas vezes, é possível manter o padrão de vida gastando menos”, diz Ana Leoni, superintendente de educação e informações técnicas da Anbima, associação que reúne profissionais do mercado de capitais no Brasil. E estudos mostram que os desperdícios são frequentes. Numa pesquisa realizada em 2013 pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, 47% dos entrevistados admitiram já ter comprado um produto que nunca chegaram a usar — você leu certo: nunca, nem uma única vez.
É claro que, para economizar, é preciso abrir mão de algumas alegrias. Mas não é preciso cortar tudo de uma vez — nem cortar o que os outros disseram que são gastos inúteis. Os ajustes que duram são os que levam em conta o perfil e os gostos de cada um.

Capítulo 2: Investimentos

“O que tem de bom hoje?” Muitos investidores fazem essa pergunta ao gerente do banco ou ao consultor financeiro para decidir em que aplicar. Parecem esperar ouvir como resposta algo assim: “Olha, eu não disse isso para ninguém, mas, só para você, vou mostrar qual investimento vai ter o melhor retorno nos próximos seis meses”. Se algo semelhante acontecer, saiba que você está sendo enrolado — o mais provável é que você esteja sendo induzido a investir no que é melhor para o gerente. Não apenas porque ninguém sabe o que vai render mais nos próximos meses mas também porque o melhor investimento para você depende de seu perfil e de seus objetivos.
O primeiro passo para fazer boas escolhas no mundo dos investimentos é definir como o dinheiro que está sendo guardado será usado. Nos últimos anos, surgiram alternativas de investimento — o que é ótimo, desde que você entenda como elas funcionam e saiba, de fato, aproveitar as oportunidades. Como disse uma vez o investidor húngaro George Soros, gestor de um dos fundos multimercado mais rentáveis do mundo: “Se você está se divertindo ao investir, provavelmente não está ganhando dinheiro. Investir direito é um processo chato”.
Quando os juros estavam acima de 15% no Brasil, era possível ter um rendimento razoável, superior à inflação, sendo conservador. Com juros mais baixos, não correr riscos pode se tornar um problema. “Quem não estiver disposto a arriscar terá de poupar mais para atingir seus objetivos”, afirma Lauro Araújo, consultor financeiro.
É claro que arriscar simplesmente não garante rendimentos maiores. Quem comprou ações da Petrobras ou de outra petroleira, a OGX, que o diga! Os papéis da Petrobras eram negociados por 15 reais em novembro de 2017, longe do patamar de cerca de 40 reais atingido em 2008. As ações da OGX, que integrava o grupo do empresário Eike Batista, chegaram a valer mais de 2 000 reais na bolsa. Em novembro de 2017, depois que a empresa saiu da recuperação judicial, custavam menos de 4 reais. Para ganhar dinheiro correndo mais riscos no mercado financeiro, é preciso realizar uma análise crítica dos investimentos disponíveis e fazer escolhas com inteligência. Também é importante conhecer seu perfil como investidor para descobrir quais riscos você é capaz de aguentar.
Giuliana: “Não pergunte ‘o que tem de bom hoje’ ao gerente do banco” | Germano Lüders

Capítulo 3: Imóveis

Se você quer investir em imóveis, e não comprar para morar, deve considerar alguns aspectos antes de entrar nesse mercado. Vender um imóvel pode levar meses — às vezes, anos —, então é importante ter um horizonte de longo prazo ao investir. Pelo mesmo motivo, não é recomendável aplicar em imóveis todo o dinheiro que você tem — se precisar de recursos rapidamente, provavelmente terá de dar desconto para conseguir vender. Os assessores financeiros sugerem investir em imóveis menos de 10% do patrimônio financeiro — ou seja, quem quiser seguir o conselho precisa ter alguns milhões no banco. A alternativa é aplicar em fundos imobiliários — com menos de 5 000 reais, é possível aplicar nesses fundos.
O rendimento dos fundos imobiliários pode variar muito.  É possível se proteger dos altos e baixos diversificando. A maioria dos especialistas recomenda manter aplicações em, no mínimo, cinco fundos de perfis diferentes — alguns voltados para prédios comerciais, outros para shoppings etc. André Bacci, autor do livro Introdução aos Fundos de Investimento Imobiliário, sugere aplicar em 15 fundos “para começar”. “Mesmo bons gestores não conseguem prever todos os movimentos do mercado. Ao diversificar bastante, ainda que alguns fundos tenham um desempenho ruim, é possível conseguir um bom retorno, na média”, afirma Bacci.

Capítulo 4: Aposentadoria

O que parece muito dinheiro hoje pode acabar rapidinho caso seja sua única fonte de renda no futuro. Um milhão de reais é suficiente? Dois? Dez? Mais?
Para saber quanto terá de guardar, tente, primeiro, estimar quais serão seus gastos no futuro. Algumas despesas aumentam com a idade, especialmente as que estão ligadas à saúde — remédios, planos de saúde etc. Mas outras diminuem. Os filhos tornam-se independentes, a casa própria já está quitada. Além disso, não é mais necessário guardar dinheiro, já que você entrou na fase de usar os recursos que economizou.
Em geral, segundo os assessores financeiros, as pessoas são mais econômicas na aposentadoria. O número mágico é 75%: para manter o mesmo estilo de vida que tinham pouco antes de se aposentar, as pessoas gastam aproximadamente 75% do que consumiam quando estavam “na ativa”. Se você ainda está longe de se aposentar, pode ser difícil estimar quanto estará gastando quando envelhecer. Nesse caso, observe a situação de seus pais, conhecidos ou parentes próximos. Veja como vivem, tente calcular quanto gastam (se eles mesmos não disserem) e faça uma previsão.
Suponha que você tenha feito as contas e concluído que precisará de uma renda de 8 000 reais por mês — fora o que receberá do governo. Para calcular quanto precisará economizar para ter essa renda, é necessário estimar a rentabilidade de seus investimentos no futuro.
Como os juros no Brasil ficaram em torno de 15% ao ano durante vários anos, muitos brasileiros se acostumaram a estimar o rendimento de suas aplicações em 1% ao mês (o que equivale a cerca de 13% ao ano). É melhor esquecer esse número. Primeiro, porque é preciso fazer uma projeção em termos reais, ou seja, descontada a inflação, para manter o poder de compra de seus recursos. Além disso, é possível que os juros sejam mais baixos no futuro — na dúvida, vale a pena ser conservador e prever retornos menores.
Os especialistas recomendam prever retornos reais de 3% a 5% ao ano. Parece pouco, mas não é: de 2008 a setembro de 2017, o rendimento real do CDI ficou em 4,5% ao ano, em média, e o investidor que tivesse colocado seu dinheiro numa aplicação atrelada ao CDI ainda teria de descontar os impostos e as taxas. Quem arriscar poderá obter retornos maiores, mas o risco de perdas também é maior. 

Fonte: Exame

Os melhores e piores investimentos de janeiro


A renda variável segue firme no topo do ranking das aplicações financeiras mais rentáveis, incentivada pela condenação do ex-presidente Lula

São Paulo — Com a Selic em 7% ao ano, a menor desde 1986, o mercado de ações continuou no topo do ranking de investimentos em janeiro.
Os fundos de ações indexados, que têm como objetivo seguir as variações de indicadores de referência, entre eles o Ibovespa, tiveram o melhor desempenho do levantamento, com alta de 9,17% no mês.
Os fundos de ações de empresas que pagam bons dividendos acompanharam o movimento e ficaram em segundo lugar no ranking, com valorização de 7,35% no primeiro mês do ano.
Os sucessivos cortes na taxa básica de juros (Selic) já vinham deixando os fundos que investem em ações mais atrativos nos últimos meses. Mas no primeiro mês deste ano, a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro e corrupção favoreceu ainda mais a rentabilidade dessas aplicações, analisa Dennis Kac, sócio da Brainvest.
“Com o presidente inelegível para a próxima eleição, o mercado financeiro ficou mais otimista de que haverá uma manutenção das reformas promovidas pelo presidente Temer, já que aumenta as chances de ser eleito um candidato de centro-direita. Esse cenário favorece a tomada de riscos, pois não deve provocar grandes oscilações em variáveis como juros e inflação”.
Um cenário benigno no exterior, com crescimento de países desenvolvidos e emergentes, taxas baixas de juros e inflação controlada também incentivam as aplicações em renda variável, diz Kac.
Na outra ponta, os fundos cambiais ficaram na última posição do ranking. Esses fundos desvalorizaram 3,51% no período, acompanhando a queda de 4,05% do dólar.
O ranking de investimentos considera a rentabilidade bruta das aplicações no mês, sem descontar Imposto de Renda (IR).
Em aplicações em fundos de ações, há IR de 15%. Nos fundos de curto prazo, a alíquota é de 22,5% para resgates em até 180 dias e de 20% para resgates depois de 180 dias. Nas demais categorias de fundos (longo prazo), a tributação segue a tabela regressiva, na qual a alíquota varia entre 15% e 22,5%, conforme o prazo de vencimento.
Os títulos públicos também são tributados pela tabela regressiva de IR. A poupança não tem cobrança de imposto e a aplicação em ouro é isenta do tributo para aplicações de até 20 mil reais.

Fonte: Olhar Digital

Como escolher o melhor fundo multimercado para investir


São Paulo – Com a queda na taxa básica de juros, a Selic, o jeito para encontrar rentabilidades maiores é se arriscar um pouco mais. Nesse cenário, os fundos multimercados estão entre os preferidos para diversificar a carteira de investimentos. Mas como investir no produto pela primeira vez?
Em 2017, as aplicações em fundos multimercados bateram recorde. O produto foi o que teve a maior captação líquida da indústria de fundos, de 96,9 bilhões de reais, volume quatro vezes maior que em 2016, segundo a Anbima, associação que representa as entidades do mercado de capitais no País.
A indústria de fundos como um todo captou 263,7 bilhões de reais em 2017 e os multimercados representaram 37% do total.
Os investidores viram nos fundos multimercados uma oportunidade de ganhos superior à renda fixa, sem precisar se arriscar unicamente em ações, por exemplo. O produto fica no meio do caminho entre os investimentos mais conservadores e os mais arriscados. O gestor pode investir em ativos de renda fixa e de renda variável, mesclar estratégias e acompanhar movimentos de mercado.
Nos últimos 12 meses, os fundos multimercados do tipo “Macro”, por exemplo, em que os gestores acompanham os movimentos da macroeconomia, tiveram rentabilidade média de 14%. A taxa Selic, que baliza o rendimento dos investimentos de renda fixa, está em 7% ao ano.
Mas vale o alerta: rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. “Se o dólar cai, a taxa de juros cai e a Bolsa sobe, os multimercados vão bem. Mas este ano, ninguém sabe o que vai acontecer”, explica William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Para investir em fundos multimercados, é preciso respeitar o perfil de cada um. “Essa saída da renda fixa para os fundos multimercados não é para todo mundo. Além disso, é preciso analisar o perfil do investidor para escolher o tipo de multimercado”, orienta Tatiana Itikawa, gerente de representação institucional da Anbima para fundos e serviços qualificados.
Antes de mais nada, é importante destacar que os fundos multimercados servem somente para diversificar seus investimentos. Invista também em renda fixa, para ter uma margem de segurança para imprevistos. Em corretoras, há cotas de fundos multimercados com investimento mínimo inicial a partir de 100 reais.
A seguir, confira alguns pontos para prestar atenção ao escolher um fundo multimercado para investir:

1) Tipo de fundo multimercado

Fundos multimercados são indicados para investidores com perfil moderado ou arrojado, jamais para investidores conservadores que não toleram perda alguma de dinheiro, mesmo temporária. A volatilidade faz parte do jogo.
Em geral, o risco é intermediário entre os fundos de renda fixa e os de ações, mas alguns multimercados chegam a ser ainda mais arriscados que alguns fundos de ações. Por isso, ao escolher o fundo, é preciso conhecer o seu tipo e, consequentemente, o seu risco.
O fundador do buscador de investimentos Yubb, Bernardo Pascowitch, recomenda procurar fundos que invistam uma parcela maior em ações, não somente em juros e moedas, para aproveitar o que eles têm de melhor: a chance de rentabilidade maior.
A consultora de investimentos da Órama Sandra Blanco concorda. “Temos visto um aumento da exposição dos investidores à renda variável e é daí que virão os maiores retornos”, diz.
Nas últimas semanas, a bolsa de São Paulo renovou patamares recordes e o Ibovespa, principal índice de referência, bateu 85 mil pontos.  Para analistas, o bom desempenho reflete um movimento mundial de alta dos mercados de ações e a retomada da confiança do investidor brasileiro na recuperação da economia.
Fundos que investem muito em dólar podem ser mais arriscados do que os que aplicam majoritariamente em ações, já que a moeda costuma ter muitos altos e baixos em ano de eleição.

2) Estratégia do gestor

Além dos tipos de ativos, os fundos multimercados podem ter estratégias completamente diferentes. Eles podem optar pela melhor estratégia de acordo com o cenário econômico, adotar diversas estratégias, investir em vários multimercados ou fazer uma única estratégia.
Para investidores iniciantes em fundos multimercados, Sandra recomenda a estratégia “Macro”. Ao usar essa estratégia, o gestor do fundo analisa o ambiente macroeconômico do fundo para investir em ações, títulos públicos, títulos de crédito privado, moeda estrangeira ou no mercado futuro, por exemplo. Basicamente, escolhe os melhores ativos de acordo com o momento.
Alguns fundos multimercados fazem alavancagem, ou seja, investem uma quantia maior do que o seu valor patrimonial para conseguir ganhos lá na frente. No entanto, quem está começando deve fugir desse tipo de fundo, para evitar o risco de perder dinheiro além do valor investido, como orienta Pascowitch.

3) Taxa de volatilidade

A taxa de volatilidade é um percentual que mostra o quanto o retorno de um fundo por variar, para cima ou para baixo, da média de rentabilidade. Quanto maior for a volatilidade, mais estômago o investidor tem que ter para encarar os balanços no curto prazo, mas maior a chance de ter retornos mais altos.
Segundo Pascowitch, taxa de volatilidade abaixo de 2% é considerada baixa; de 2% a 3%, média; e acima de 3%, alta.

4) Taxa de administração e de performance

Em geral, os fundos multimercados cobram duas taxas do investidor, que comem um pedaço da rentabilidade: a taxa de administração  e a taxa de performance.
A taxa de administração é a remuneração fixa paga pela prestação de serviços de gestão e administração do fundo. Segundo a Anbima, a taxa de administração média cobrada pelos fundos multimercados é de 1,79%.
Já a taxa de performance  remunera o bom desempenho do fundo, se ele alcançar determinado índice de desempenho, chamado de benchmark. Essa taxa é cobrada sobre uma parcela da rentabilidade do fundo.
Os especialistas ouvidos pelo site EXAME recomendam buscar fundos que cobram taxa de administração de, no máximo, 2%, e taxa de performance de, no máximo, 20% sobre o que exceder o índice que serve de parâmetro para o fundo.

5) Liquidez do fundo

A liquidez de um fundo é o prazo que ele demora para devolver o seu dinheiro, a partir do dia em que você solicita o resgate. Esse tempo é expresso em D+X, sendo X o número de dias corridos.
Diferente dos fundos de renda fixa, por exemplo, que normalmente têm liquidez diária, os fundos multimercados podem ter liquidez D+30 ou até D+180, em alguns casos. Por isso, preste atenção nos documentos do fundo se a liquidez se adapta à finalidade que o investimento terá para você.
De qualquer forma, vale lembrar que, para valer a pena, os fundos multimercados devem ser investimentos de médio a longo prazo, ou seja, de, no mínimo, três anos. Não conte com o dinheiro no curto prazo, para emergências.

6) Histórico do fundo

Por último, procure uma gestora com história no mercado, que tenha oferecido taxas de retorno consistentes nos últimos anos, não apenas recentemente. É o melhor jeito de avaliar a competência e a estratégia do gestor.
O buscador de fundos da publicadora financeira Empiricus pode ajudar a garimpar as melhores opções de fundos. Online e 100% gratuito, inclusive para não clientes da Empiricus, o buscador tem alguns diferenciais em relação a outras ferramentas no mercado. Ele mostra, por exemplo, qual é a taxa de administração dos fundos, as dez maiores posições das carteiras e faz um comparativo lado a lado de até três produtos diferentes. Fundos de investimento: O novo perfil do investidor exige ofertas mais ousadas e muita criatividade. Saiba mais com a TOTVS! Patrocinado 

Os fundos mais buscados

A pedido do site EXAME, o buscador de investimentos Yubb levantou os dez fundos multimercados mais procurados por investidores em janeiro de 2018. Os fundos estão organizados por ordem decrescente de buscas. A pesquisa considera a rentabilidade até o dia 26 de janeiro.

Fonte: Exame